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Mostrando postagens de Agosto, 2015

NÃO DESISTE, JUVENTUDE!

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No tempo da escola conheci “turmas” organizadas em que cada uma tinha seu paredão de som e nas festas de rua exibiam suas camisas e copos personalizados pra se identificarem, nessa época pude conhecer também as “galeras” que se organizavam nos bairros e nas torcidas dos times de futebol, existia rivalidade entre os bairros e entre as torcidas e o que identificava as galeras eram as pichações, “é massa passar por um muro e ver a marca do cara ali”, dizia um amigo meu. Conheci também os jovens de igreja que organizam encontros, o “Encontro de Jovens com Cristo” (aquele que todo mundo diz que chora muito, sai renovado e ninguém pode contar o que foi), eles frequentavam as missas e não ficavam até muito tarde na rua. Ao passar uma tarde no parque da jaqueira, me surpreendi com a diversidade de tribos que se concentram ali, vi a turma do skate, de dança de rua e a galera que se veste de desenho animado e se amarra em jogos eletrônicos. Entendi que a forma com que cada galera, turma, juventud…

um projeto diferente

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Depois de repetir mil vezes pra mim mesma e tentar me convencer que poderia trilhar meu rumo distante da luta coletiva, recebi a proposta de uma missão muito diferente de tudo que sempre fui acostumada a fazer na vida, fui surpreendida pela proposta de me jogar na honrosa missão de representar os sonhos da juventude do Recife em uma batalha desleal, desonesta, dura e que fere os sonhos e esforços daqueles que tem boas ideias, sangue fervendo nas veias e disposição de lutar pelo que se acredita.
Fui indagada e agora ando indagando as pessoas próximas a mim pra entender o que isso representa na cabeça de quem anda desacreditado da política, de quem sabe que essas coisas só dão certo com muito dinheiro, de quem sabe que tem muita coisa pra mudar, mas não sabe como faz pra resolver concretamente, e claro, o que isso representa na cabeça de quem me conhece e sabe que eu não tenho muito juízo, mas que gosto muito de cuidar de gente nas mais diversas formas, me esforcei pra cuidar das pessoa…

sobre morar numa casa sem adultos

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Entre o terceiro e décimo período da faculdade morei em casa de parentes pra poder estudar e militar, depois que terminei a faculdade não me senti bem em continuar assim "morando na casa dos outros" por mais que me sentisse à vontade e acolhida,  então decidi passar perrengue com outra amiga, mas assegurar minha "independência", ainda bem que a vida como sempre foi generosa comigo e fui aprovada na residência que nos oferece uma boa bolsa pra poder estudar e prestar serviço ao SUS, o fato é que morar sozinha e aí leia "morar sem adultos" (não aceito ser uma adulta) é uma experiência incrível e que eu recomendo.   Morar longe dos pais e por conta própria é viver levando choques diários de realidade, você vai colocar em prática tudo que sua mãe dizia e você não dava muita moral e percebe que é tudo verdade, sim, as coisas são caras, sim, você não pode estragar comida, isso é básico. Convivência, gastos e tarefas do lar precisam estar em harmonia pra que dê t…

a suspeita de um filho

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Tem coisas que acho íntimas demais pra escrever e publicar, mas encontrei no ato de escrever uma forma de dividir sonhos, ideias, opiniões, angústias e vontades, em um momento de angústia a um tempo atrás quando pensei estar grávida e sofri com essa dúvida, fiquei pensando se todas que já passaram por essa situação sentiram tudo que eu senti e essa semana uma publicação nas redes sociais de uma camarada me fez lembrar disso, ela fez um depoimento do quanto a questão da maternidade é algo tão particular e singular da mulher único e exclusivamente, porque é no corpo dela que a criança cresce, se desenvolve e nasce e que depois que nasce é dela que ele vai precisar pra se alimentar, então por mais que o pai queira contribuir ao máximo durante a gestação objetivamente, ele não pode fazer porque não cabe a ele, claro que tô pontuando aqui questões muito objetivas, mas pragmaticamente é isso. E aí, a camarada coloca muito claro isso, as decisões devem ser da mulher, então tudo é com ela, a d…

mudança de planos...

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Aprendi a ser uma pessoa relativamente (bem relativamente) organizada depois do movimento estudantil e da enfermagem, eles me ensinaram a calcular meus compromissos diários e deixá-los religiosamente organizados ainda que muitas vezes não sejam cumpridos, e assim seguem meus dias cronometrados por uma agenda que me diz cada passo do que devo fazer pra não correr o risco de cair no esquecimento, dessa forma comecei a pensar na vida e tentar planejá-la a longo prazo também, faz um pouco mais de um mês que encerrei um ciclo que durou um pouco mais de quatro anos, encerrei cansada, esgotada e saturada e prometendo pra mim mesma que “essa vida” não me cabia mais, na semana seguinte após o congresso que oficializou minha despedida passei os dias com estranhos vazios, vazios de interrogação, de entendimento, me senti feliz ao estar livre pra me concentrar somente nos meus compromissos acadêmicos e pessoais e incomodada pela ausência do incomodo tão rotineiro que enchia meus dias anteriorment…

vínculo

“Vínculo” significa “aquilo que ata, liga, vincula (duas ou mais coisas), o que tem a capacidade de ligar”, etc, no SUS o vínculo é um dos atributos da Estratégia Saúde da Família, ao qual às unidades básicas de saúde – UBS atendem a uma determinada população adscrita (cadastrada) e a partir disso, profissionais e moradores constituem relações como um instrumento de aperfeiçoar a integralidade do cuidado daqueles indivíduos, estou enfermeira residente da UBS Casarão do Cordeiro em um conjunto habitacional conhecido também como “bangu” e eu por gostar tanto desse negócio de “vínculo” soube desde o princípio que era em PSF que queria trabalhar, não gosto de hospital que a gente vê alguém hoje e não vê mais amanhã, eu gosto de conhecer as pessoas, sabe? Estava ansiosamente ansiosa pra começar a criar os tais vínculos com os moradores do Casarão, eis que semana passada comecei a reconhecer e ser reconhecida pelas pessoas na rua ao chegar e sair da unidade, sorrisos me cumprimentando espon…

nossa dança quase perfeita

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Dos acontecimentos que a gente não calcula, aconteceu a primeira dança quase perfeita, depois a segunda, a terceira, as incontáveis e as últimas, todas quase perfeitas, na verdade todas eram perfeitas tão perfeitas que a próxima dança carregava o desafio de surpreender os corpos dos dançarinos incansáveis em busca da perfeição (por isso que depois da dança seguinte a anterior se tornava “quase perfeita”). A dança dos moços começava com o primeiro toque assim como toda dança, mas o toque deles era diferente, incendiava o resto do corpo, o toque soava como um convite, uma espécie de gesto de permissão pra dança e depois do primeiro toque, que sempre resistia um pouco pra acontecer, se permitiam. Sem regras e sem condutores, porque o que imperava sempre era a liberdade dos corpos, a moça e o moço só queriam o tempo todo sentir com intensidade aquela dança, gozar daquela dança e suavam, sorriam, mordiam, gritavam e dançavam envolvidos por uma energia, ritmo, harmonia e sintonia que transb…