sabotadora de convicções

Diferente de muitas vezes não contei pra nenhuma amiga, daquelas que a gente confessa o que sente, sobre as últimas palavras que trocamos, silenciosamente apaguei a conversa e joguei a escova de dentes fora. Silenciosamente guardei muitas coisas que quis falar, mas dessa vez consegui segurar, foi embora junto com a conversa apagada, junto com a escova de dentes. É que eu não sei lidar com paixões que só um sente, gosto quando consigo controlar o que sinto, uma vez que eu perco o controle, preciso jogar tudo pro alto e ir embora, senão sufoco. Não sufoco com o que eu sinto, mas com o que o outro é incapaz de sentir. Eu resisti o quanto pude, mas não deu, falhei, foi tudo errado como eu tinha planejado. Como um animal racional calculei que eu poderia ser racional, mas minha alma é emoção e poesia, escolhi recuar, cansei de me jogar demais. É que eu penso que já amei um dia e nos dias que amei, ou que penso que amei, eu amei muito e ele me amou também, eu era paixão e ele também, ele foi embora mas me ensinou que se não for assim não serve. Ao jogar tua escova de dentes fora, sabotei algumas convicções que você fez nascer em mim, mas salvei convicções antigas que são na verdade tudo o que eu sou: emoção e poesia. Pode ir.


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