Venâncio surgiu na minha frente e imediatamente me fez sentir coisas, como um frisson tomou conta de mim, não sabia seu nome, seu endereço e sua procedência, nem pude ver seus olhos por conta da lupa escura que ornava o rosto, mas soube naquele instante que ele era bom. Nos encontramos. Pensei que fosse o início de uma história de amor, desejei que fosse, mas não foi, fomos nos desencontrando aos poucos. Pude então ficar livre para escrever outras histórias, várias, a maioria completamente inventadas para passar o tempo, vivi dramas, romances, decepções, paixões, cheguei até a pensar que tinha vivido a maior delas, cheguei até a ter um filho e mesmo assim nunca o perdi de vista, estava perto e muito longe também. Vivemos distantes, desejei algumas vezes que a história que começou no nosso encontro ainda pudesse existir, resistir aos desencontros, as outras histórias, minhas, dele, mas o desejo parecia pecado, crime ou ilusão e então forçava o esquecimento, desistia como sempre. Se...
Te amo pelo amor e afinidades em comum que temos pelas coisas e pessoas, desde as coisas pequenas e efêmeras como nosso paladar quase que idêntico e o não gostar do Natal até as coisas mais grandiosas dessa vida como a construção do socialismo e as relações com as pessoas que mais amamos nesse mundo. Tudo que temos em comum nos aproximou, nos aproxima e nos faz viver dias azuis solares, cheios de paz, risos e carinhos. Te amo e te olho todos os dias com os mesmos olhos de admiração de sempre, mesmo te enxergando com a cruel lupa da proximidade, e te olhando penso o quanto faz sentido nosso encontro e tenho certeza que a gente combina no tom, no ritmo e na melodia e que por isso seguiremos fazendo dias azulzinhos, meu benzinho... Te amo por tu ser exatamente quem és, no tempo de agora, na versão atualizada, com a bagagem carregada, mas com espaço pra mais vida e mais versões e mais atualizações, mas confesso que tenho minhas horas preferidas do que tu és, gosto mais daquelas horas ...