Crônica, prosa, conto, cordel ou romance, me pergunto qual a melhor forma de descrever esse amor que me transborda e transcende, qual forma ou rima de revelar tamanha emoção. Já que contigo coleciono as memórias mais felizes a dois do tempo presente, seja na praia de tambaba, de itamaracá, ou de salvador, seja nas camas ou nos sofás, seja nos bares e qualquer lugar que a gente passe. De nós tenho as lembranças mais bonitas de uma paixão ingênua e um amor impossível do tempo passado, nas músicas, no manifesto, no que poderia ser e não foi, mas agora é. Contigo acumulo promessas que deixam a vida leve como pipa, a promessa do próximo encontro, de uma viagem, de uma comida ou de uma vida juntos e todas essas promessas me salvam diariamente da vida, dessa vida corrida, cansativa, exaustiva, contigo flutuo na insanidade da rotina que me sentencia. Contigo me desarmo para dar e receber o amor que nunca tive e sempre quis e me permito descobrir que amor é queijo coalho na geladeira e bol...
Venâncio surgiu na minha frente e imediatamente me fez sentir coisas, como um frisson tomou conta de mim, não sabia seu nome, seu endereço e sua procedência, nem pude ver seus olhos por conta da lupa escura que ornava o rosto, mas soube naquele instante que ele era bom. Nos encontramos. Pensei que fosse o início de uma história de amor, desejei que fosse, mas não foi, fomos nos desencontrando aos poucos. Pude então ficar livre para escrever outras histórias, várias, a maioria completamente inventadas para passar o tempo, vivi dramas, romances, decepções, paixões, cheguei até a pensar que tinha vivido a maior delas, cheguei até a ter um filho e mesmo assim nunca o perdi de vista, estava perto e muito longe também. Vivemos distantes, desejei algumas vezes que a história que começou no nosso encontro ainda pudesse existir, resistir aos desencontros, as outras histórias, minhas, dele, mas o desejo parecia pecado, crime ou ilusão e então forçava o esquecimento, desistia como sempre. Se...