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Mostrando postagens com o rótulo PRA NOSTALGIA

ronco do meu pai e reza da minha mãe

Vinícius de Moraes em uma crônica de homenagem a seu pai disse que “quem nunca teve um pai que ronca não sabe o que é ter pai”, eu não sei em que momento da vida eu entendi o que era ter pai, mas desde que me entendo por gente sei que o ronco que ouvia do quarto ao lado era dele. Meu pai, que não é novo nem velho, mas já viveu dois infartos pra contar história, sempre precisou cuidar da saúde, por mim e pelo meu irmão ele já se dedicou diversas vezes, mas já desistiu também pela justificativa de que a vida precisa ser vivida e eu embora concorde, queria que ele se cuidasse também, pelo menos o suficiente pra que não tenha mais nenhum infarto e que nada de mal lhe aconteça e que viva pelo menos uns 200 anos, bom, em uma dessas necessidades de muito cuidado, nada era mais angustiante do que passar na porta do quarto e não conseguir ouvir o ronco dele, eu ficava na porta, pregava a orelha e até prendia a respiração, só saia de lá e conseguia respirar de novo quando ouvia o confortante ro...

hasta luego, sarait

Me recordo de todos os ataques quando foi criado o programa "Mais Médicos", acéfalos diziam que estávamos deixando de investir em médicos brasileiros pra dar dinheiro ao sistema socialista de Cuba e outros absurdos, esse discurso poderia até convencer quem não conhece a realidade da relação médicos x PSF, mas não a mim. É certo que as condições de trabalho em muitas unidades de saúde da família são bastante precárias, mas é verdade também que não é interessante pra muitos médicos serem da atenção básica, porque é muito tempo dedicado em um serviço só e tempo é dinheiro. Tempos depois passei na prova de residência em Saúde da Família e assim que soube as unidades onde estaríamos alocados, soube que em uma delas a médica era cubana, me empolguei e quis ser desde já dessa unidade, a outra colega não fez questão de ficar lá e assim foi, fiquei vibrante com a ideia de estar perto de uma médica do programa, uma médica cubana, pensei que teria oportunidades de aprender e aprend...

dona maurina

- beta, soubesse que dona maurina morreu? - não, quando? - ontem, o enterro é agora de tarde Pensei em ir, dona Maurina tava muito velhinha, não era mais vista e quando não somos mais vistas, não somos lembradas, sim, esqueci dela, tanto que a notícia de sua morte nem me surpreendeu (eu meio que pensei, poxa ela ainda tava viva né?), nem doeu na verdade, morte de gente velha dói menos. Dona Maurina era uma vizinha, acho que tinha bem mais que 80 anos, guardo poucas lembranças, lembro dela de cabelo solto gritando com o neto, lembro da voz firme dela, lembro dela subindo a ladeira com um balde na cabeça, lembro dos olhos vivos dela, lembro de ter feito questão de ir na porta da casa dela a algum tempo onde minha tia se encontrava na porta pra conversar pra cumprimentá-la, deu pena, tava tão debilitada.  Então, fiquei nessa merda de internet e nem vi a hora passar, na hora que tava compartilhando um vídeo de Lia de Itamaracá, já que hoje é aniversário dela, fui colocar u...

balanço 2015

Escrevo porque preciso, preciso de balanços, preciso de registros, preciso me botar pra fora, preciso me ler, preciso renovar pra começar um ano novo, isso que Drummond descreveu bem sobre a magia do espírito de renovação em um novo ano é real e sou grata por ela existir, de fato doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar, então vamos encerrar um ano e partir pra outro. Me desculpem os insatisfeitos com 2015, mas pra mim foi um dos melhores anos da minha vida até esta primavera. Recordo que neste mesmo dia ano passado eu estava aflita com o que 2015 poderia ser, eu tinha acabado de me formar e na metade do ano encerraria a missão na militância estudantil, tava meio perdida, meio ansiosa, mas deus, o destino, as forças da natureza, o universo, ou sei lá o que, foram generosos comigo. Ontem lendo todos os textos do blog me permiti chorar, me permiti mergulhar um pouco em mim e tentar me entender. Tenho visto muitas pessoas falando sobre "ser sozinha", "estar...

quando a saudade aperta

É que às vezes bate uma saudade danada de casa, às vezes eu quase morro de vontade de correr pro lugar que me chamam de "roberta", "beta" ou "betinha", às vezes é tão difícil estar longe, o coração fica apertado e bem pequenininho. É que onde me chamam de "roberta" é um aperreio só, "beta, vem cá, beta, num sei o que" a toda hora e a todo instante pra falar qualquer besteira e isso só tem lá. É que eu gosto mesmo é daquela cama, daquele canto, de ficar fazendo nada bem ali, de sentir aquelas sensações de tranquilidade, paz, segurança. Por aqui eu tenho que ser adulta, lá eu sou "betinha", adulta eu me defendo, "betinha", eles me protegem. Aqui é agenda cheia e intensa, de repente, um vazio, lá é maresia e não falta nada. Lá tem um tal de painho, mainha e ville e tem até um toff que me fazem ter certeza que eu sou mesmo de lá. Tô com saudade.

sobre morar numa casa sem adultos

Entre o terceiro e décimo período da faculdade morei em casa de parentes pra poder estudar e militar, depois que terminei a faculdade não me senti bem em continuar assim "morando na casa dos outros" por mais que me sentisse à vontade e acolhida,  então decidi passar perrengue com outra amiga, mas assegurar minha "independência", ainda bem que a vida como sempre foi generosa comigo e fui aprovada na residência que nos oferece uma boa bolsa pra poder estudar e prestar serviço ao SUS, o fato é que morar sozinha e aí leia "morar sem adultos" (não aceito ser uma adulta) é uma experiência incrível e que eu recomendo.     Morar longe dos pais e por conta própria é viver levando choques diários de realidade, você vai colocar em prática tudo que sua mãe dizia e você não dava muita moral e percebe que é tudo verdade, sim, as coisas são caras, sim, você não pode estragar comida, isso é básico. Convivência, gastos e tarefas do lar precisam estar em harmonia p...

amor, luta e poesia

De repente acordei na última segunda-feira e não era mais do movimento estudantil, não sei o que senti e o que tô sentindo porque eu não gosto de mudanças, novidades me deixam perdida, um dia desses mesmo tava na subway e fiz meu típico pedido do recheio de "almôndegas", a moça disse que não tinha e eu não soube o que fazer porque eu nunca pensei em comer um diferente.  Não sei como é não ser estudante universitária mesmo que já tenha me formado, não sei como é não ser do DCE ou da UEP, não sei, meus dias sempre foram divididos entre meus compromissos da faculdade e agora da residência e entre os compromissos militantes e viciantes, agora tenho até tempo livre, isso é estranho e ao mesmo tempo me sinto profundamente feliz e com sensação de missão cumprida.  Quero ler mais, escrever mais aqui no blog, estudar pra ser a enfermeira que o povo precisa, voltar a visitar parentes e amigas. Quero um tempo pra mim, pra pensar em tudo e conseguir olhar pra frente com coragem,...

dos gritos do dia vinte e três

Quando todos os barulhos que me cercam calam por algum instante, dentro de mim ouço gritos. Gritos de tudo que eu sou, gritos das minhas saudades que não são poucas, gritos dos meus sonhos que são infinitos, gritos daquilo que com o barulho de fora não ouço direito por dentro e ficam sufocados, presos, esperando só um pouco de silêncio pra poder respirar. Acho que a gente é aquilo que pensa quando tá sozinho, quando não tem ninguém olhando, acho que a gente é aquele instante de solidão que faz a gente sentir aquilo que a gente é, uma lembrança antiga, um rabisco no caderno da escola, um encontro que ficou lá atrás, a vontade de fazer uma coisa diferente no outro dia. A vida é tão engraçada e bonita, a gente é tanta coisa, bem que as pessoas podiam ser mais humanas, bem que as pessoas podiam reconhecer nos olhos do outro as tantas vidas que existem dentro de um só ser e assim se enxergar no outro, todo mundo grita por dentro, todo mundo uma hora é solidão e os gritos que vem de dentro ...

Cinco anos...

Em cinco anos eu aprendi muita coisa, surpreendente constatar como uma Universidade te transforma, o  meu único lamento não poderia se dar por outro viés que não fosse político, o meu lamento é o motivo da minha luta, queria que todos tivessem a oportunidade de estar dentro da Universidade. Hoje eu sou outra pessoa, aprendi a ser mais livre, aprendi que é obrigação dividir meu aprendizado, aprendi a ser mais humana, me descobri gente. Acho que herdei dos meus pais esse negócio de ter sangue no olho, pra mim sempre foi natural isso de correr muito atrás do que quero, não abaixar a cabeça e ser muito firme, no decorrer da caminhada ouvi várias vezes "não sei como tu aguenta", eu achava bobagem, mas olhando pra trás de fato não foi fácil, morar a mais de duas horas de ônibus lotado da faculdade me obrigou a ter que dormir em outras casas, de parentes e amigos, minha sorte é que tenho sorte e sempre fui bem acolhida, hoje vejo que precisei disso pra saber o que é ter saudade...

Eduardo Campos

Minha tia quase não dormiu a noite passada, disse que ficou muito abalada com a notícia, minha mãe mandou uma mensagem dizendo que se o enterro dele for no domingo ela vai. Me solidarizo com a dor da viúva Renata Campos, sempre ao lado dele em todas as atividades políticas, simpática e atenciosa, me solidarizo com a dor dos seus cinco filhos, não deve está sendo fácil perder um pai querido assim, me solidarizo com toda a família Campos, mas me solidarizo também com todo o povo pernambucano. Eduardo não era só o esposo de Renta e o pai de Zé, Duda, João, Pedro e Miguel, ele pertencia aos pernambucanos, ele fez parte da vida dos pernambucanos.  As pessoas ainda não conseguem acreditar, algumas dizem "perdi meu presidente que ia nos representar". O choque foi muito grande, foi pesado, Eduardo não está mais entre nós, de repente um profundo vazio toma conta de todos, não podia ser verdade, como pode, meu deus? Um homem jovem na idade e na alma, um homem que sonhava, que tinh...

do enterro

Morreu. Acenderam a vela pra velar. Os vizinhos chegaram, os parentes distantes também. O caixão ficou na sala com os pés virados pra porta (acho que é por isso que dizem que faz mal dormir com os pés virado pra porta, isso é coisa de defunto). A viúva chorou, os filhos e os netos também, choraram, gritaram, morrer dói nos outros. Os filhos carregaram o caixão pelas ruas até o cemitério. Era um homem bom. (a gente vê pela quantidade de pessoas que acompanharam o enterro). Ele agora tá lá a sete palmos embaixo da terra. Eu acho bonito esses enterros de cidade pequena, quero ser enterrada que nem meu avô.

meu mundinho

Cada um de nós vive o seu mundo e a vida exige muito da gente, exige que olhemos pra frente, que caminhemos, não dá pra parar, a ordem é seguir! Mas às vezes é saudável fazer uma pausa, olhar um pouco pra trás, lembrar do que doeu, do que sarou, do que fez rir, do que fez crescer, do que cresceu, do que ficou, do que passou.  Faço isso pouquíssimas vezes na verdade, porque dói, prefiro viver de futuro, vivo assim no meu mundinho sem olhar muito pra trás, no meu mundinho imperfeito, incompleto e cheio de esperança, esperança de qualquer coisa boa, de qualquer coisa nova, de qualquer sorriso que ajude a fazer a caminhada mais bonita.  

carta para ser entregue à marllyane em 2044

Nem sei se daqui a 30 anos vamos estar vivas, mas quero escrever essa carta agora, não tenho motivo especial pra escolher essa data, mas queria que a gente lembrasse dos tempos de agora depois de muito tempo, nem sei se 30 anos é muito tempo também, mas vamos lá. Amiga, tu é tão especial pra mim, tua liberdade sempre me fez te admirar, liberdade, loucura, não sei bem, acho que na sociedade hipócrita e machista que a gente vive ser livre, se declarar livre é pagar de louca e sem juízo, então deixa ser. Tava pensando esses dias que as mulheres do mundo deviam conhecer como a gente leva a vida, acho que elas seriam bem mais felizes. É, não ligar pra o que os outros falam ou o que vão pensar, fazer o que tem vontade, ser livre, os homens sempre fizeram isso e as mulheres coitadas, reprimidas. Falo assim toda cheia de mim, mas não é nada fácil ser o que somos, é preciso coragem. Apesar de eu ser militante e ler um pouco sobre as lutas feministas de emancipação das mulheres, quando anal...

GABI

Quando ela era pequenininha que vinha dormir comigo e eu praticamente não dormia a noite inteira pra ver se ela tava respirando, eu sentia um amor parecido com de mãe. Quando ela me acordava de manhã pra fazer mingau e eu não queria levantar de jeito nenhum ou quando na hora do almoço ela não queria comer e minha vontade era dar umas tapas e fazer ela engolir a comida e não podia, sentia um amor parecido com amor de irmã mais velha. Quando ela leu o diário dela pra mim uma vez, eu senti amor e me senti amada também, amor de amigas. Quando ela me falou que tinha um namoradinho na escola eu fiquei possessa, mas depois senti mais amor por saber que ela confia em mim. Quando ela não tinha nem tamanho e chorava quando eu ia embora da casa dela , eu ficava com o coração bem pequeno e ao mesmo tempo sentia  uma satisfação enorme em saber que aquele pingo de gente que não sabia de quase nada da vida, me queria tão bem. Quando eu encontro ela na rua depois de dias em dias sem a v...

minha pequena cidade

"Não morro de amores pela vida que se leva nas grandes cidades, porque nunca faltam nelas os excessos que fazem dos seus habitantes presas fáceis de um artificialismo cansativo, sem graça e sem medida. Se a vida apresenta encantos, estou certo que os encontramos mais abundantes e mais puros na fraternidade que está presente entre os que vivem nas comunidades pequenas." Extraí esse parágrafo do livro "HISTÓRIA DE ITAMARACÁ", me identifiquei com o sentimento.  Itamaracá é uma cidade com fortes características interioranas apesar de estar localizada na região metropolitana. É a cidade mais linda que já vi, aqui eu sou verdadeiramente feliz com as coisas mais simples que podem existir nesse mundo. Cada esquina conta um pouco da minha história, assim como as praias, as pessoas, assim como cada época que o ano passa,  pra mim na minha Ilha tudo é poesia. (leia aqui) Não me acostumaria a passar muito tempo em lugares que vou na padaria e não sei o nome do padeiro,...

uma cuspida

Ele se levantou com alguma dificuldade consequente da idade avançada, caminhou em direção a porta lateral da sala, aquelas portas antigas que é dividida pela metade, em cima e embaixo, abriu a parte de cima e cuspiu, foi apenas uma cuspida, mas meus olhos encheram de lágrimas cheios de emoção, talvez você ache um exagero, mas pra mim foi exatamente assim como estou a descrever, uma cuspida emocionante!  Não sei sua idade, mas já passa dos noventa, o irmão mais velho do meu avô, Tio Valfredo me emocionou nesta noite porque pude ver meu avô naquela simples cuspida e o pior é que nem lembro se já vi meu avô cuspindo daquele jeito, mas foi ele que eu vi ali. Quando meu avô Zé Guedes partiu da vida terrena, eu tinha oito ou nove anos, não convivia muito com ele porque morava longe, mas guardo pequenas e saudosas lembranças daquele senhor que passava bicho na praça de Jaguaribe, que assistia qualquer coisa que passasse na tv na sua cadeira de balanço, que me dava moedas e que quando...

Luciano Siqueira

Não escondo e nunca escondi minha profunda admiração por Luciano Siqueira, escritor, médico e comunista, atualmente vice-prefeito do Recife e secretário de formação do PCdoB aqui no estado. Ele faz política com amor, ternura e de coração, ele é o político mais sensível que já conheci, já cheguei a declarar, que depois dos meus pais ele é pra mim é a grande inspiração de lutar todos os dias e é. Isso aqui não é um texto pra eu relatar a história de vida dele ou tampouco sua trajetória política que inclusive não saberia relatar, mas eu queria registrar meu carinho. Luciano é um homem iluminado, a gente percebe pelas suas crônicas, pela esperança contida em cada linha escrita de construir um mundo melhor a cada dia. Existem outros e outros homens que escrevem bonito também, aí é quando você tem oportunidade de estar perto dele e ver a luz que falo, nos olhos, no gesto, no sorriso. Luciano não é um tipo de pessoa mecânica que se você tem que tratar com ele sobre um relatório que não ficou...

CICLOS

Segundo o dicionário "ciclos" são uma série de fenômenos que se sucedem numa ordem determinada. Existe o ciclo menstrual, o ciclo de Krebs e outros ciclos também, mas quero me ater aqui a falar um pouco dos ciclos da vida, da minha especificamente. Os ciclos da minha vida não são bem delimitados onde começam e onde terminam, da minha nem de ninguém e são muito complexos, o fim deles e o começo de outro pode ser traumático muitas vezes e doloroso, mas eles são necessários e inevitáveis. Lembro quando cheguei em 2000 pra morar em Itamaracá e tudo mudou na minha vida, escola, amigos, rotina. Lembro quando comecei a sair com as amizades pra show's, shopping, cinema. Lembro bem do primeiro beijo, da primeira transa, não me lembro do primeiro amor, sempre fui viciada nesse negócio de paixões desde pequena. Lembro quando parei de frequentar missas. Lembro quando passei no vestibular e tive convicção do quanto minha vida mudaria dali pra frente. Lembro de tantos amores que come...

entrelinhas

Ando me esbarrando com ele todas as horas, seja na barba do médico, seja na caneca de café que achei em outra cama, detalhes que me levam as lembranças dele. Se as histórias do mundo já foram escritas como alguns acreditam, creio que a nossa ficou apenas nas entrelinhas, entrelinhas por que nunca entendi bem o que era que eu sentia e até hoje eu não entendo.  A única certeza é que nunca tive certeza de nada, nossos destinos seguem em paralelo, antes, durante e depois de conhecê-lo nossos destinos seguem sem se cruzarem e nunca se cruzarão. Somos como uma mistura de água e óleo. E como sempre, o vejo de longe e só confirmo o que sempre pensei, “nunca nos encaixaríamos” e chego a ter quase certeza que o melhor a fazer já está sendo feito, ele de um lado, eu de outro, porque quando estava ao lado dele tinha vezes que doía um pouco pela dificuldade em compreender o que eu já sabia.  Devo esbarrar ainda tantas outras vezes com as manias, aparências e tantas outras lembranç...

O CASO CAMA E CAFÉ

Cama e café era tudo o que ele tinha pra oferecer a ela. Mas não era como aqueles contos românticos que poderia descrever “e pra eles juntos na cama e na companhia de um bom café, o mundo começava e termina ali...” não, não era nada parecido com isso, era cama, era café, apenas. Os tempos podem mudar e as mulheres se firmarem cada vez mais nos diversos espaços de poder da sociedade, mas em uma relação a dois o que elas querem é se sentir mulheres, sexo frágil, apaixonadas. Elas querem se sentir unicamente desejadas por eles, mesmo que não seja, querem receber mensagem deles no celular dizendo que tão com saudade, mesmo que seja mentira, querem ser abraçadas antes de dormir com os braços deles exalando amor, mesmo que não exista amor. Elas querem viver ROMANCES, mesmo que no início de uma história eles coloquem uma placa: “proibido sentimentos”. Pois bem, cama e café sem sentimentos, depois que um tempo passa, fica sem graça, perde o gosto, se torna desnecessário e até pode fazer mal a...