Vinícius de Moraes em uma crônica de homenagem a seu pai disse que “quem nunca teve um pai que ronca não sabe o que é ter pai”, eu não sei em que momento da vida eu entendi o que era ter pai, mas desde que me entendo por gente sei que o ronco que ouvia do quarto ao lado era dele. Meu pai, que não é novo nem velho, mas já viveu dois infartos pra contar história, sempre precisou cuidar da saúde, por mim e pelo meu irmão ele já se dedicou diversas vezes, mas já desistiu também pela justificativa de que a vida precisa ser vivida e eu embora concorde, queria que ele se cuidasse também, pelo menos o suficiente pra que não tenha mais nenhum infarto e que nada de mal lhe aconteça e que viva pelo menos uns 200 anos, bom, em uma dessas necessidades de muito cuidado, nada era mais angustiante do que passar na porta do quarto e não conseguir ouvir o ronco dele, eu ficava na porta, pregava a orelha e até prendia a respiração, só saia de lá e conseguia respirar de novo quando ouvia o confortante ro...