Quando era ensino fundamental li em algum lugar sobre a "arte de lavar louça", a arte de transformar o sujo no limpo, era poético mas não me recordo tanto. Ao passar margarina em um pão duro pra fazer torradas pra o café da manhã, me atentei pra poesia. Comprei aqueles pães com as últimas moedas que tinha na carteira, com a vida corrida que levo nesses tempos de muita responsabilidade não pude comê-los antes que ficassem duros como um pão duro, lembrei que podia "reciclá-los" e eles ficariam tão bons quanto antes, teriam agora um sabor: fazer deles torradas! E assim o fiz, a arte de transformar o duro e "incomível" em algo saboroso, precisamos praticar mais essa arte na vida, a arte das torradas.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
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