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contigo

Crônica, prosa, conto, cordel ou romance, me pergunto qual a melhor forma de descrever esse amor que me transborda e transcende, qual forma ou rima de revelar tamanha emoção. Já que contigo coleciono as memórias mais felizes a dois do tempo presente, seja na praia de tambaba, de itamaracá, ou de salvador, seja nas camas ou nos sofás, seja nos bares e qualquer lugar que a gente passe. De nós tenho as lembranças mais bonitas de uma paixão ingênua e um amor impossível do tempo passado, nas músicas, no manifesto, no que poderia ser e não foi, mas agora é. 

Contigo acumulo promessas que deixam a vida leve como pipa, a promessa do próximo encontro, de uma viagem, de uma comida ou de uma vida juntos e todas essas promessas me salvam diariamente da vida, dessa vida corrida, cansativa, exaustiva, contigo flutuo na insanidade da rotina que me sentencia. Contigo me desarmo para dar e receber o amor que nunca tive e sempre quis e me permito descobrir que amor é queijo coalho na geladeira e bolo de rolo no armário, comida na mesa, roupa limpa, aprendo que amor é a liberdade da entrega e a ação do cuidado. Cuidado com a comida, com os gostos, com o ciúme, com as dores, os medos e as feridas. 

Contigo somo mais dias felizes que dias de descompasso e esse balanço confirma que a fé que tenho na gente, contigo sou feliz antes de dormir, no meio da noite e quando acordo enquanto trocamos carinho e safadeza, quando tomamos café em pé porque a vida já tá muito corrida, ou quando pulamos direto pro almoço porque a cama tava muito boa, e também quando te recebo endorfinado dançando e sorridente, quando tu seca as cervejas com o "cebrutius" tocando alto, ou simplesmente quando sinto a paz de sentir nosso amor no meio do dia, latente, pulsante e bonito.

Contigo sinto fome, muita fome! Fome de comida e fome de vida e tu me faz comer e viver melhor todos os dias e no final tudo vira "estado de poesia".





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