A casa de vovó é uma típica casa de vó. Aconchegante e bonitinha, tem quintal, cachorro e várias gavetas cheias de coisa que eu sempre mexia quando criança e quebrava, claro. Na casa de vovó o almoço é mais gostoso, não sei que tempero é que usam lá, mas tudo dá água na boca, pense numa delícia. Dá vontade até de comer fruta e doce de goiaba feito na hora. Eu não sei se com todo mundo é assim, mas sempre tenho medo de ir no banheiro à noite na casa de vó, imagino milhões de coisas, sou uma mole. Mas o melhor de tudo com certeza é chegar lá e receber um cheiro da minha vó e ouvir ela me chamando de linda. Quando ela tava quase eu não aparecia lá, agora que estou todos os dias e a casa está do mesmo jeito, está faltando alguma coisa, na casa da minha vó agora, só não tem a minha vó.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
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