Pular para o conteúdo principal

massagem, música e mão no peito

Ouvi dizer que a "lua está em câncer" essa noite e ontem meu mapa astral revelou que este é meu signo ascendente, não sei o que isso quer dizer apesar de ter muita simpatia por astrologia, mas fazia tempo que não escrevia nada e talvez a "lua em câncer" tenha me inspirado, ou talvez seja apenas uma desculpa minha pra não admitir que o que me inspira a escrever essas linhas não tenha nada a ver com signo, ascendente, lua e essas porras todas.

Tem a ver com algumas horinhas de descuido: barulho de chuva, arenga, beijo no olho, calor de pele, música, sombrinha dividida, ciúmes, carinho na coxa, cochilo, abraço, mão no peito, cozinha, massagem, confusão e calmaria. Essas coisas bobas me deixam emocionada, enquanto o mundo nos engole com problemas gigantes vou me blindando como posso com massagem, música e mão no peito. 

A vida é boa, a gente só precisa encontrar de vez em quando quem saiba disso também, quem tope se descuidar também, quem queira se blindar também, afinal o que é a felicidade senão despertar e ser despertada por sensações de alegria, prazer e paz? E pra isso basta que os encontros aconteçam. Acho que na verdade a felicidade é que é inspiradora. Obrigada Guimarães Rosa por não me deixar esquecer que "a felicidade se acha é em horinhas de descuido", obrigada, Guimarães.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

o cronômetro da mãe solo

22:30 e ainda estou lendo agenda escolar (eu achava que hoje daria pra terminar a leitura daquele livro que eu queria tanto, mas hoje mais uma vez não deu, tento desde o ano passado), nela encontro além dos 10 trabalhos de casa para serem entregues nos próximos dias, mais uma demanda que precisa ser cumprida sob pena de eu ser condenada como uma mãe descuidada, afinal é só uma guloseima pra comprar e entregar na escola, coisa super simples. 22:30 e desde 05:30 não paro de cronometrar o tempo (assim como todos os dias), até 06:30 eu e todas as bolsas precisam estar prontas, mas nunca estão (são pelo menos 5 bolsas que precisam ser checadas todos os dias antes de sair, com vestimentas, refeições, acessórios, materiais de trabalho), 06:30 é hora acordar a princesa para ela estar pronta até 07:00 e ela nunca está, a meta é sempre sair pelo menos 07:15 e incrivelmente tem dias que eu consigo. No trabalho avalanche de demandas, mato todas no peito, sei fazer tudo, sou boa em fazer tudo que f...

das pessoas que inspiram vida e poesia

Na manhã do sábado passado vi nas redes sociais através do comandante Luciano Siqueira a notícia do falecimento de um militante do PCdoB, "Marco Albertim", senti profundamente pela sua partida, não que eu ache que a morte seja uma coisa ruim, ainda mais depois que soube como se deu sua partida, mas é que a morte é um fenômeno tão individual que causa isso na gente, uma estranheza danada. Pois bem, nunca o vi na minha vida, mas seu nome ficou registrado na minha memória quando li em 2013 a forma poética e única com que ele descreveu a cerimônia de posse da entidade que presido até junho deste ano, a UEP, intitulado de "O merecido convescote".  (leia aqui) Através de Siqueira também pude ler algumas linhas que o filho do camarada dirigiu ao pai e ele fala da sua "elegância narrativa", é exatamente isso, parecia que eu tava lendo um texto de um episódio antigo, ele usava adjetivos rebuscados e de fato, elegantes. E palavras bonitas por si só podem ser ao...

Venâncio

Venâncio surgiu na minha frente e imediatamente me fez sentir coisas, como um frisson tomou conta de mim, não sabia seu nome, seu endereço e sua procedência, nem pude ver seus olhos por conta da lupa escura que ornava o rosto, mas soube naquele instante que ele era bom. Nos encontramos. Pensei que fosse o início de uma história de amor, desejei que fosse, mas não foi, fomos nos desencontrando aos poucos. Pude então ficar livre para escrever outras histórias, várias, a maioria completamente inventadas para passar o tempo, vivi dramas, romances, decepções, paixões, cheguei até a pensar que tinha vivido a maior delas, cheguei até a ter um filho e mesmo assim nunca o perdi de vista, estava perto e muito longe também.  Vivemos distantes, desejei algumas vezes que a história que começou no nosso encontro ainda pudesse existir, resistir aos desencontros, as outras histórias, minhas, dele, mas o desejo parecia pecado, crime ou ilusão e então forçava o esquecimento, desistia como sempre. Se...