Estávamos de frente um para o outro depois de anos e enquanto a fumaça tomava conta do ambiente, eu olhava nos olhos dele e viajava, pra onde eu não sei, mas viajava, acho que pra onde quero ir com ele, qualquer lugar, qualquer lugar que traga paz, exatamente como aquele lugar que a gente tava, não tinha nada de interessante ao meu redor a não ser a presença dele, foi pra qualquer lugar assim que viajei, pra o lugar onde ele estivesse. Sentia uma agonia, queria ficar ali sentindo aquela energia excitante, a pele dele estava quente e minha boca salivando de desejo. Fizemos algumas promessas curtas, prometemos fugir. Acabou nosso tempo naquele dia, nos despedimos, acabou nosso tempo naquele dia pra começar uma história nova.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
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