Pego ônibus pela manhã todos os dias na mesma parada em um bairro de Olinda, recentemente foi aberta uma peixaria em frente dela. Percebi que agora as pessoas ficam mais à direita, muito provavelmente por conta do cheiro que tomou conta de parte daquela parada, cheiro de peixe. Na verdade não são todas as pessoas, por que eu continuo no mesmo lugar, o cheiro de peixe cru não me incomoda, pelo contrário, me traz boas lembranças, lembranças do tempo em que eu via minha mãe ou alguma das minhas tias tratando os peixes como a gente chama, no quintal da casa da minha vó Lourinha em Itamaracá e lembro do mesmo cenário quando passo na rua e alguém tá fritando peixe, ou então se vejo um peixe feito de coco. Como não lembrar do meu vô Zé Guedes comendo moqueca, com um prato de laranja ou manga e um bom prato de feijão com farinha. Pois bem, a peixaria me faz lembrar o quintal da casa da minha vó que nem existe mais, a não ser nas boas lembranças que a gente guarda pra sempre na memória.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
Comentários
Postar um comentário