É que às vezes bate uma saudade danada de casa, às vezes eu quase morro de vontade de correr pro lugar que me chamam de "roberta", "beta" ou "betinha", às vezes é tão difícil estar longe, o coração fica apertado e bem pequenininho. É que onde me chamam de "roberta" é um aperreio só, "beta, vem cá, beta, num sei o que" a toda hora e a todo instante pra falar qualquer besteira e isso só tem lá. É que eu gosto mesmo é daquela cama, daquele canto, de ficar fazendo nada bem ali, de sentir aquelas sensações de tranquilidade, paz, segurança. Por aqui eu tenho que ser adulta, lá eu sou "betinha", adulta eu me defendo, "betinha", eles me protegem. Aqui é agenda cheia e intensa, de repente, um vazio, lá é maresia e não falta nada. Lá tem um tal de painho, mainha e ville e tem até um toff que me fazem ter certeza que eu sou mesmo de lá. Tô com saudade.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
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