Pode parecer idiota, mas é puro sentimento. Meus pais viajaram hoje pra passar uns dias fora, acho que eles nunca fizeram isso na vida desde que eu e meu irmão chegamos. Tô feliz por eles e eles devem estar também, a ansiedade tava grande, dava pra ver de longe. Deixei eles no aeroporto e no caminho de casa pensei pra quando chegar "vou ligar o som bem alto e fazer qualquer coisa". Chegando em casa meu cachorro tava mais triste que mulher abandonada, até liguei o som, aumentei um pouco o volume, mas depois de alguns minutos me encontro aqui, sentindo a casa tão vazia como nunca senti, chega dá vontade de chorar. A casa sem eles não tem a menor graça e na mesma hora pensei "nos dias de semana que eu e meu irmão ficamos longe são eles que ficam sem a gente" e concluí que se eles nos amam tanto quanto nós os amamos eles devem sentir tanta falta quanto também. Estou provando neste exato momento do meu próprio veneno. Do veneno de ser tão ausente dentro da minha casa e na vida dos meus pais por conta das minhas escolhas, que não me arrependo.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...
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