Na mesa do bar bebendo cerveja, o copo sempre ficava atravessado no centro da mesa, tinham o mesmo jeito de colocá-lo ao centro e vez ou outra eles eram trocados sem que os dois percebessem, são pequenos detalhes que ficam mesmo quando não resta mais nada e ela lembrou desse detalhe nas vésperas do seu aniversário enquanto bebia cerveja com uns amigos, não queria mais lembrar, mas tava impregnado na alma, assim como a noite do seu último aniversário, a madrugada e a manhã que contavam mais uma primavera, naquela manhã tinha sido despertada com o toque daquele homem, aquele homem era tanta coisa pra ela, acordou feliz, passou o dia feliz, foi dormir feliz, amar as lembranças dos detalhes do que passou às vezes fazia ela se sentir viva e ela nunca esquecia.
Tava pensando hoje que se eu pudesse "encomendar" alguém como a gente faz nos aplicativos de compras com opções de personalizar pedidos, incluir preferências, remover desagrados, o produto final seria você, exatamente assim, um combo perfeito com imperfeições de tudo que eu gosto, de tudo que me atrai, de tudo que eu quero ter por perto e sempre quis. Se tu não existisse e se pudesse, eu te encomendaria com toda certeza do mundo: com teus olhos bonitos e penetrantes, teu riso e tua risada, tua voz, tua presença dominadora, tuas ideias, tuas memórias, teus sonhos, tuas fantasias, teu compromisso, teu cuidado, tua disposição pra viver, tua doçura, tua inteligência, tua sabedoria, tua disponibilidade, tua safadeza, tu. E sem encomendar, planejar ou calcular, tu chegou, chegou em um pacote grande, transparente e fácil de abrir, sem arrodeio, virou presente e presença potente e permanente, presença que dá sentido, que sintoniza, que alegra, que cuida, que desmonta. Presente que ...

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