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sobre o castelo dos horrores

Acordei com uma mensagem que dizia "fui condenado à oito anos", me levantei e fiquei rodando na casa, os oito anos não paravam de martelar na minha cabeça, oito anos de castigo, oito anos de raiva e sofrimento, oito anos de des oportunidades, oito anos é muito tempo e me perguntei quanto tempo vale pra gente se arrepender dos nossos pecados e por que não dois, três ou cinco anos de reclusão, mas oito longos anos, fiquei sem resposta, assim como a mensagem do meu amigo. Quem não tem amigo ou parente preso, nem lembra que os presídios existem e eles estão lá, superlotado, desumanos e formando doutores em criminalidade. A culpa? Do estado, claro. A culpa sempre vai ser do estado e da política que não pensa, que se acomoda, que não quer pensar, que quer se acomodar, porque é mais fácil ser omisso.  O lugar que deveria ser um ambiente " reeducativo" e de "ressocialização" nada tem a ver com isso, tem a ver apenas com depósitos de homens e mulheres ...

"Boa tarde..."

"Boa tarde" disse o homem que estava descarregando um caminhão de gás de cozinha enquanto me viu passar na rua, poderia ser um cumprimento cordial como qualquer outro vindo daqueles que tem educação, mas primeiro o que determinou o "boa tarde" é o fato de eu ser mulher, depois, eu tava sozinha, duvido muito que ele desejasse "boa tarde" se eu tivesse acompanhada do meu pai ou de um namorado, além de sozinha meu short era curto e minha blusa também, dava pra ver minha barriga, meu piercing no umbigo e minha tatuagem na cintura, poderia ainda ser de fato um cumprimento cordial, mas aquela entonação nojenta não me deixou dúvidas, foi um "boa tarde" escroto e nojento como a barba dele.  Moço, talvez você ache que é exagero esse meu registro, moça, você deve estar me entendendo perfeitamente bem. Eu não fiquei calada, claro. Rebati o "cumprimento" ofensivamente, por que me senti ofendida e o mais importante, eu tinha condições de rebate...

DE UM ANÔNIMO QUE QUIS FALAR

Tinha 19 anos, fazia parte dos encontros vocacionais para entrar no seminário. Vivia envolto de misticismos e moralismos que eu queria que fossem o norte da minha existência.  A castidade,  um dos preceitos da conduta moral católica,  dizia que não bastava não praticar sexo, também era considerado uma desordem gravíssima o ato da masturbação.  Pois bem,  havia sido aceito para entrar no seminário,  estudar para ser padre. Fiquei extremamente feliz,  sentia o poder de Deus na minha vida. Como contrapartida,  tinha que ofertar algo à Deus por ele ter me escolhido. Decidi que nunca mais na minha vida iria nem me masturbar. Daquele dia em diante,  só tocaria o meu pênis para urinar e para lavá-lo.  Os primeiros dias foram muito fáceis, era tudo uma benção,  me sentia a pessoa mais casta do mundo.   Ao fim da primeira semana,  comecei à me sentir tentando pelo satanás, pois estava acordando de pau duro como...

Cinco anos...

Em cinco anos eu aprendi muita coisa, surpreendente constatar como uma Universidade te transforma, o  meu único lamento não poderia se dar por outro viés que não fosse político, o meu lamento é o motivo da minha luta, queria que todos tivessem a oportunidade de estar dentro da Universidade. Hoje eu sou outra pessoa, aprendi a ser mais livre, aprendi que é obrigação dividir meu aprendizado, aprendi a ser mais humana, me descobri gente. Acho que herdei dos meus pais esse negócio de ter sangue no olho, pra mim sempre foi natural isso de correr muito atrás do que quero, não abaixar a cabeça e ser muito firme, no decorrer da caminhada ouvi várias vezes "não sei como tu aguenta", eu achava bobagem, mas olhando pra trás de fato não foi fácil, morar a mais de duas horas de ônibus lotado da faculdade me obrigou a ter que dormir em outras casas, de parentes e amigos, minha sorte é que tenho sorte e sempre fui bem acolhida, hoje vejo que precisei disso pra saber o que é ter saudade...

amor é poesia

O amor é espontâneo. É o encontro marcado em cima da hora, é o beijo inesperado no meio da noite, é o carinho escondido no meio da festa, é a inspiração da poesia bonita.  Entenda, meu bem, se você causa em mim a inspiração de uma poesia como essa que aqui publico, que nasce da saudade que quase me mata todos os dias que não te vejo, que nasce da paz que me invade quando tu pousa ao meu lado, que nasce do brilho dos meus olhos quando encontram a ti é por que sinto amor. Quem tem alma de poeta faz do amor a poesia de cada dia e da poesia o amor de todos os dias. E eu quero viver a poesia de cada encontro, cada beijo, cada carinho. Viramos poesia. Amor é poesia.  

batom vermelho

Ela comprou um batom vermelho pra dar cor aos lábios e a vida, pra ficar mais bonita, pra sorrir melhor. Ela comprou um batom vermelho pra combinar com a pele dela, pra beijar o amor dela e manchar todo o lençol. Ela se pintou de vermelho pra dançar na avenida, deixar a rua mais bonita até chegar o pôr do sol.

das invenções

Com o tempo, as dores, os amores, dissabores e os delírios me fizeram ter uma constatação, tudo que é de subjetivo nessa vida não passa de pura invenção por conveniência! Assim são com as grandes paixões e com a dura saudade que servem pra nos atormentar, sim, paixões e saudade são grandes tormentos que invadem subjetivamente nossas emoções, nossos desejos e nossas vontades.Um dia te juro amor eterno, largo o mundo e seguro na tua mão, amanhã acabou e depois de amanhã morro de tristeza e saudade. Quando me convém sinto amor, preciso dele pra sentir viva. Quando me convém sinto saudade, só pra fazer drama. Em um dia me esqueço de tudo, no domingo resgato tudo na minha memória pra me torturar. Em um novo dia começo tudo de novo com uma nova paixão. A subjetividade das emoções inventadas por conveniência me fez entender que não podemos escolher objetivamente o que vamos sentir, mas que paixão e saudade são "inventáveis".