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uma nação abandonada: sem vacina, sem emprego, sem auxílio

       O que mobiliza pessoas a construírem as lutas coletivas diariamente? Quando eu era presidente do DCE da UPE, conheci a história de uma menina da minha faculdade de enfermagem, estava ocupando a sua tão sonhada vaga na universidade pública, até que as condições não permitiram que ela continuasse, pois era do interior, não tinha quem a apoiasse por aqui, estava na casa de terceiros que em pouco tempo as portas foram fechadas. Ela retornou pra sua cidade, pra trabalhar e tentar outra vez a tão sonhada vaga, quem sabe. Saber disso foi muito doloroso, era por pessoas como ela que fazíamos a luta pela assistência estudantil, pelo direito à condições básicas de estudantes permanecerem na universidade através de passe livre, casa do estudante e restaurante universitário.     Hoje, enfermeira da atenção básica testemunho o grande sofrimento coletivo que uma parcela da população enfrenta, as pessoas estão sem renda e trabalho, sem assistência social, estão enl...

a casa de vovó

 Eu acho a memória a coisa mais preciosa que a gente tem, depois da vida em si, a memória do que já foi vivido, sentido, doído vale muito. Eu sempre tive uma boa memória, tão boa que às vezes acho que passo até vergonha, como encontrar uma pessoa 15 anos após ter visto pela última vez e cumprimentar como se fosse ontem, acho que já assustei algumas pessoas. Às vezes do nada me vem memória de imagens, sensações, momentos, como se pudesse ver passando na frente dos meus olhos. É bom, às vezes bate uma melancolia, às vezes saudade, mas é a vida vivida. É bom lembrar por exemplo da casa da minha avó materna em Itamaracá, de todos os detalhes, era uma casa simples, metade de tijolos, metade de "taipa", com telhas, tinham gaiolas espalhadas pelo teto, não lembro muito bem de tudo, mas guardo com carinho memórias da cadeira de balanço da sala, do rádio que ficava do lado esquerdo do corredor que meu avô anotava o resultado do jogo do bicho, lembro da voz que anunciava o resultado co...

à manauara Gabi Cativo

 É até difícil organizar as palavras pra descrever tanta coisa que venho sentindo. É que os dias tem se tornado cada dia mais duros e pesados, como no início de abril do ano passado, nenhum de nós imaginávamos que poderíamos estar vivendo uma situação como essa, como disse uma colega (que perdeu a filha recentemente), parece um pesadelo, ou talvez como o inferno quem sabe. Sempre fui uma pessoa extremamente fragilizada emocionalmente, sinto muito por tudo e qualquer coisa, e o ofício de enfermeira em plena pandemia me enlouquece e me fortalece na mesma medida. Eu gosto de me comunicar com as pessoas não por obrigação, mas por livre e espontânea vontade, acontece que na maioria das vezes na visita aos pacientes, me faltam palavras, eu realmente não sei o que dizer ao senhor de 90 anos que no dia 31  de dezembro está sozinho num leito de hospital e que me diz que está sofrendo, ou ao outro senhor do leito vizinho que acabou de perder a esposa, ou a senhora que está com o filho e...

referência militante

Essa conversa é somente pra quem como eu, se entende militante, queria saber se assim como eu vocês também se cansam de ser assim, claro, existe militância sobre tudo, militantes do meio-ambiente, do feminismo, do SUS, ou os de igrejas e de movimentos anti-vacina, ou os veganos e veganas, eu pelo menos acho que tudo isso é uma militância porque você defende algo não só pra você, mas pra toda sociedade, então vai pra disputa de ideias, de opiniões pra que a gente possa mudar o mundo naquilo que a gente acredita. E fazer isso cansa, consome energia, desgasta. Conheci muita gente no movimento estudantil que por não saber equilibrar as doses de envolvimento com a militância e as demandas da vida pessoal e profissional, optaram por abrir mão da vida política, porque de fato ela pode ser pesada se você não sabe conviver com ela. No movimento estudantil, como costumo dizer, pude desvendar o mundo através dos óculos da militância, é como se a gente fosse limpando ele e conforme estuda, aprende...

Amanhã eu vou votar em João Campos e Isabella de Roldão para a prefeitura de Recife.

Desde 2012, ano em que elegemos Geraldo Julio e Luciano Siqueira , me organizo no PCdoB, naquele ano minha candidata a vereadora era Antonieta Trindade . Foi a primeira vez que entendi o que representavam as eleições municipais e a discussão da disputa de projeto de cidades. Nós do PCdoB, defendemos diariamente um projeto nacional de desenvolvimento para o nosso país, seja nas entidades dos movimentos sociais ou nos espaços de governo que ocupamos. Defendemos o meio-ambiente, a garantia da saúde, educação e assistência social para todos e todas nós, reformas estruturantes no sistema tributário e político e os direitos sociais das parcelas historicamente oprimidas na sociedade como as mulheres, as pessoas negras e LGBTs. Nós defendemos um país mais justo pras pessoas com desenvolvimento social e distribuição de renda. Só que temos a clara compreensão que para alcançar nossos objetivos, nem sempre vamos percorrer o caminho ideal, precisamos traçar nossa estratégias a partir do que temos...

reunião on-line da UBM

As reuniões on-line são nossas alternativas para tentar dar seguimento as demandas do trabalho, militância, da vida escolar e acadêmica, da vida real. Objetivamente são para isso, para que as coisas não parem, subjetivamente, para nós pobres mortais, pode ser sinônimo de reencontros, de companhias, de afagos. Tão bom ver quem a gente gosta nesses tempos mesmo que pela telinha, claro que nada jamais superará o abraço apertado de ver quem se gosta, mas ajuda a aliviar um pouco, concorda? Pois bem, hoje tivemos reunião da União Brasileira de Mulheres (UBM) de Pernambuco com dirigentes nacionais e subjetivamente falando, foi assim que me senti. Que bom saber que ainda estou com vocês. No movimento estudantil adorava ouvir as falas de Iana e Wilma, inclusive as conheci assim, fazendo fala juntas em um congresso da UEP em 2011, hoje pude reviver isso, já que somente agora estou me somando organicamente na UBM, senti alegria de verdade ao estar no mesmo espaço mesmo que virtual de mulhe...

um mundo de dores

"a felicidade não é deste mundo" é o que diz o evangelho segundo o espiritismo, eu que ando mais apegada com a fé que nunca, acredito nessa máxima. vivemos em um mundo de dores, e eu não tenho dúvidas que é o que a maioria das pessoas sente, muita dor na maioria dos seus dias. a maioria das pessoas em todos os cantos do mundo vive lutando, suando, enfrentando, tentando sobreviver. ainda sou só dor do que aconteceu com nosso miguel, porque ele agora é nosso, mas semana passada foi com george nos EUA, e todos os dias está acontecendo também com milhares, MILHARES de brasileiros e brasileiras devido à pandemia do novo coronavírus. esses acontecimentos diários, que consideramos tão injustos e que de fato são, doem tanto pra quem sente, e todas as vezes que sinto isso, olho pra vida que não para e continua exigindo tudo da gente, estudar, trabalhar, reunir, cuidar e inclusive lutar contra tudo isso, o mundo não para pra que a gente se cure, a vida foi feita pra gente seguir c...